Jair Rodrigues

Jair rodrigues

O espetáculo era Elis, A Musical, ainda em cartaz no teatro alfa. Dia de estreia.

No palco a história de Elis e Jair Rodrigues.

O número acaba, a luz foge do palco e procura alguém na platéia. Encontra Jair Rodrigues. Ele levanta. A platéia levanta em seguida. 1500 pessoas. Ele é ovacionado. Pelo público e pelos atores que ainda estão no palco.

Uma homenagem linda, genuína, emocionante.

 

Deixa que digam

Que pensem

Que falem

Deixa isso pra lá

Vem pra cá

O que que tem.

 

Jair Rodrigues, uma última vez, nossos aplausos. (RM e RL)

 

Próxima parada: Londres!

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Vai que você, como eu, não nasceu com a sagacidade de curadoria da Gertrude Stein. Ou ainda, vai que você ama arte mas, como eu,  não entende nada. Vamos imaginar que além de arte você também ame história e que, em uma viagem, parte do seu tempo seja dedicado aos museus. Porém, esses passeios nem sempre se tornam interessantes, seja pela multidão, seja pelo número de obras que precisam ser vistas, seja pela falta de conhecimento, seja pelo motivo que for.

Pois bem, seus problemas acabaram. Ao menos quando se trata do British Museum.

O diretor do museu, Neil MacGregor, resolveu contar a história do mundo em 100 objetos. Da primeira machadinha ao cartão de crédito.

Descobrimos como apreciar cada um dos 100 objetos através de uma leitura fácil e fluída, que ensina sem o pedantismo do tom professoral de uns e outros.

Agora, vai que você não gosta de arte. Nem de história. Leia mesmo assim, o livro trata também da essência humana. Da inerente esperança. De transformação. De evolução.

Vai que nada disso te interessa. Leia mesmo assim.

Você vai encontrar uma razão só sua para amar esse livro. (RM)

 

Amazônia em carne viva

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Chama-se Além da Conquista o livro que transforma a  imensa floresta de brócolis – aquela que a gente vê da janelinha do avião – numa selva real, fascinante e tenebrosa, onde o sol mal consegue penetrar e onde vivem até hoje tribos isoladas de qualquer contato com outros povos.

Chama-se Scott Wallace o jornalista americano que se embrenhou na mata durante 3 meses, acompanhando a expedição do sertanista Sydney Possuelo, discípulo dos irmãos Villas Boas, para depois escrever seu relato.

Além da Conquista conta uma história de arrepiar, tanto pela complexidade das questões que envolvem a sobrevivência da cultura indígena no Brasil como pela expedição em si, que traz a lama, a carne de macaco, a surucucú e a caranguejeira, para dentro do meu apartamento no Itaim Bibi. Traz também o conflito entre os homens, a privação, a coragem, o medo e sobretudo, o instinto animal que habita o branco, o índio, o americano e qualquer um que ouse penetrar nessa profundeza do mundo.

Estou na página 272 e a situação que já era verde tá ficando cada vez mais preta.  (RL)

 

Crítico

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O professor de crônicas disse que quem se mete a escrever com sinceridade precisa estar preparado pra apanhar. Mas, cá entre nós, eu acho que pior que ser cronista é ser crítico.

Nem o melhor argumento técnico é capaz de se sobrepor ao impacto de um espetáculo que comove profundamente a plateia, mesmo quando o Sr. Crítico diz que falta drama. Falo da matéria que saiu hoje na Folha de São Paulo, sobre o musical Elis. Segundo o jornalista, quem estava no teatro Alfa sábado a noite “é público de show”, com ânsia de “ressuscitar celebridades”, que isso não é teatro musical.

Mexeu comigo o moço porque eu estava lá e eu amei. Amei o canto, o repertório, os personagens e as atuações, o cenário, as coreografias, a história – se isso não é teatro então é o que? Minha filha de 17 anos que sabia quase nada à respeito de Elis Regina saiu sabendo muito. E emocionada.

O que também me intriga é o seguinte: as pessoas que criticam os musicais tradicionais, aqueles que o Brasil copia da Broadway, sempre dizem que, via de regra, as músicas são fraquinhas.

Agora quando o Nelson Motta, um cara que respira música, escolhe uma cantora maravilhosa (Laila Garin); quando ele e o Dennis Carvalho selecionam obras primas da MPB pra homenagear a Deusa que foi Elis Regina, aí o problema é a música excelente demais, que sombreia a dramaturgia. No caso, excelente digo eu já que o critico considera um autoengano o fato de a Elis do palco imitar a Elis da vida.

Só rindo.

Precisava explicitar a morte da Elis? É esse o drama que falta? Só rindo mais um pouco.

Pra mim não faltou nada.

Mas como já disse, é muito duro ser critico. O cara não pode relaxar, se deixar levar pela emoção. Somos todos iguais nesta noite não vale pra ele.

O crítico precisa ser mais inteligente que o sentimento.

Pobrezinho.  (RL)

 

Rainha

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Vai que essa semana alguém querido faz aniversário, vai que essa pessoa é inteligente e sensível, vai que você quer acertar em cheio no presente sem ter trabalho porque dá pra comprar online…

…Noite Luzidias: o DVD é o que há de lindo.

Foi gravado em 2001 mas é daqueles shows que não envelhece nem dá pra ticar tipo tá visto. Tem que saborear. Tem que repetir.

Aqui o link:

Maria Bethânia – Noites Luzidias

Bom domingo!  (RL)

 

Já Era Tempo

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A primeira reação foi de festa.

A segunda, faniquito.

Estamos comprometidas. Tá rolando a papelada. Seja o que Deus e o maestro quiserem. O Mandassaia voltou.

Nosso retorno à cena musical da cidade será nos dias 22 de março, as 21h, e no dia seguinte , 23, as 19h. Fomos aprovadas pela Prefeitura e faremos o show ‘Tanta Saudade’ no Teatro Décio de Almeida Prado, com cachê e tudo e entrada gratuita para a plateia. Que loucura, diria Narcisa!

Querem saber o que eu acho? Concordo com a Narcisa!

Mas que loucura boa, vamo que vamo, começar 2014 com uma adrenalina dessas no cangote é tudo de bom.

Estamos resgatando um trabalho sério que fizemos durante tantos anos e que pelo visto ainda tem seu charme.

E como dizia Vinícius de Moraes e seu parceiro Ary Barroso:  Já Era Tempo.  (RL)

( Sorry pelo post propaganda. Meu passado me condena.)

 

E por falar em consciência do outro: Clarice Lispector

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LIBERDADE (II)

Houve um diálogo difícil. Aparentemente não quer dizer muito, mas diz demais.

- Mamãe, tire esse cabelo da testa.

- É um pouco da franja ainda.

- Mas você fica feia assim.

- Tenho o direito de ser feia!

- Não tem!

- Tenho!

- Eu disse que não tem!

E assim foi que se formou o clima de briga. O motivo não era fútil, era sério: uma pessoa, meu filho no caso, estava-me cortando a liberdade. E eu não suportei, nem vindo de filho. Senti vontade de cortar uma franja bem espessa, bem cobrindo a testa toda. Tive vontade de ir para o meu quarto, de trancar a porta a chave, e de ser eu mesma, por mais feia que fosse. Não, não “por mais feia que fosse”: eu queria ser feia, isso representava meu direito total à liberdade. Ao mesmo tempo eu sabia que meu filho tinha os direitos dele: o de não ter uma mãe feia, por exemplo. Era o choque de duas pessoas reivindicando – o quê, afinal? Só Deus sabe, e fiquemos por aqui mesmo.

(Clarice Lispector, do livro Aprendendo a Viver)

 

Antes de nascer o mundo

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Sei que uma história pode ser triste e bonita ao mesmo tempo. Pra mim o milagre é conseguir calibrar esse efeito só com o uso da palavra, página por página, em cada uma das 277.

Precisa ser Mia Couto.  (RL)

 

Para Gostar de Ler

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Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas.

Os livros só mudam as pessoas.

Mario Quintana

 

Poetinha Camarada

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Sabia palavras apaixonadas.

Seus olhos enxergavam rimas onde ninguém via motivo.

Cantava ardentemente um novo amor enquanto flertava com a morte de olho numa feijoada.

Fez carreira no Itamarati mas foi como embaixador da poesia que ele emocionou o gigante Carlos Drummond de Andrade a ponto de faze-lo confessar: Eu queria ter sido Vinicius de Moraes.

Vinicius indomável, comia doces escondido, casou 9 vezes.

No próximo dia 19 completaria 100 anos.

E olha que coincidência bonita:

ontem, 10 de outubro, o italiano Giuseppe Verdi, compositor de Aída, Rigoletto, La Traviata, Nabucco, faria 200 anos.

Verdi foi o responsável por trazer histórias da vida real para o palco. Amava cozinhar e teve até um restaurante.

Teriam se dado bem os dois.

Vinicius adorava a Italia, fez mais de mil shows por lá.

O link abaixo mostra o poetinha caminhando pelas ruas de Firenze, com Toquinho narrando as estripulias da dupla.  (RL)

Vinícius na Italia

 

 
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